BREXIT

Na última 6a. feira, 24/06 acordamos com a notícia da vitória do Brexit, como ficou conhecido o referendo que propunha que o Reino Unido saísse da União Europeia. Na verdade até hoje o Reino Unido nunca esteve totalmente na UE. Do meu ponto de vista foi uma decisão lamentável e que vai custar caro ao Reino Unido e ao mundo ocidental como um todo.

Li nos jornais que os jovens queriam majoritariamente ficar e os mais velhos quiseram sair. Estranho esta situação porque estes “mais velhos, com mais de 50 anos” são, na maioria, filhos de quem viveu e sofreu na 2a. Guerra Mundial, como eu. Lembrei do meu Pai, nas muitas discussões que tive com ele. Sobre a Inglaterra ele, provavelmente em função das lembranças da Guerra, dizia que a Inglaterra não passava de uma Ilha de pescadores. Eu sempre discordava e mostrava as grandes conquistas e conhecimento que os ingleses fizeram ao longo da história. Pois bem, na 6a. feira senti que o Reino Unido agiu pensando pequeno, míope, olhando apenas para o umbigo e acreditando que se pode viver melhor sozinho, neste mundo de hoje. Palavras que justificaram esta opção: autonomia, capacidade de fazer as leis que quiser, controle, imigração, enfim formas de pensar ultrapassadas e que não levarão a bons resultados.

As declarações dos jovens que li nos jornais me impressionaram, em particular uma em que um jovem dizia: “Quem fez isso não viverá para ver o mal que fez às gerações futuras”. Fiquei pensando: Este jovem é capaz de enxergar mais longe e consegue pensar de maneira muito mais ampla do que os mais velhos. Ele está certo. Os mais velhos foram irresponsáveis e covardes. Preferiram se esconder do que continuar a boa luta. Argumentam que a UE não surgiu para que países como a Inglaterra, ou o Reino Unido tivessem que dar conta dos problemas de países que não alcançaram este estágio.

Errado! Foi exatamente para isso que a UE foi concebida e foi por conta destas diferenças que aconteceram as grandes guerras. As grandes economias da Europa ou do mundo, quando “ajudam” os mais pobres não estão dando nada de graça porque parte importante de sua riqueza futura virá justamente destes “hoje” mais pobres. Ou será que eles pensam que conseguiram mais e melhores mercados sozinhos.

Os mais velhos do Reino Unido, com desculpa do trocadilho, “acham que têm o Rei na barriga”. A Escócia e a Irlanda que não têm o “Rei na barriga” votaram para continuar na UE. Os jovens estão revoltados porque queriam liberdade de escolha, de ir e vir, de conhecer gente diferente, de ser diferente sem ter que deixar de ser inglês, enfim porque querem viver, ser felizes e poder sonhar. Quando se fecham as portas os sonhos se tornam mais difíceis de serem concretizados.