Produção de Alimentos 2 – A Terra

A terra é a matéria prima da produção agropecuária e é necessário prepará-la para alcançar algum resultado. Tudo começa com uma análise feita em laboratório que depois é comparada às necessidades de nutrientes para a produção desejada. Aí começam a surgir diferenças.

A produção “orgânica” aceita o preparo com trator, o uso do calcáreo para regularizar o PH (nível de acidez) e o uso de fosfato, de maneira limitada, exige que a terra seja manejada em curvas de nível para evitar erosão e que as nascentes e cursos d’água sejam protegidos com mata ciliar entre outras exigências.

Qualquer produtor inteligente deve fazer e faz isso nas suas terras. Do contrário está perdendo o seu patrimônio. Estas exigências funcionam, no mínimo, como indutores de um melhor preparo para quem produz.

O uso de trator é contra-indicado na produção “orgânica”. A justificativa é que estes equipamentos estragam e deterioram a terra. O resultado do uso de trator em terras planas é completamente diverso do uso em áreas muito inclinadas. É preciso cautela.

Rotação de culturas é uma boa maneira de minimizar o desgaste da terra. Pode até baratear a produção. Por outro lado, hoje é possível manter a produção de monoculturas fazendo reposição sistemática de nutrientes sem “acabar com a terra”. Será que os plantadores de arroz das áreas alagadas conseguirão plantar outras coisas lá?

Deixar a terra descançar é importante mas para isso é preciso ter terras disponíveis.

Boi criado no pasto é melhor do que boi criado com ração, mas pastagem é uma das piores utilização da terras pois o pisoteamente literalmente acaba com a oxigenação da terra. Novamente para ser bom é preciso ter muita terra para fazer a rotação.

A produção “tradicional” preconiza o uso de adubos químicos. As quantidades são determinadas levando-se em conta fatores técnicos e econômicos. O uso indiscriminado destes produtos é absolutamente ilegal. Acontece onde não há controle seja estatal ou da sociedade.

Produção de Alimentos 1 – Uma lenda

Há uma lenda urbana que diz que “tudo” que não é produzido da maneira que era antigamente é ruim, visa apenas o lucro e faz mal a quem planta ou cria e a quem come.

Me pergunto, em primeiro lugar: Será que as pessoas que trabalham na cadeia produtiva agropecuária, estudam o tema nas universidades e ou em organismos de saúde são mal intencionadas, maldosas, cruéis e irresponsáveis?

Desconsiderar a evolução do conhecimento e a contribuição das pesquisas científicas na busca de uma produção maior e melhor é no mínimo inocêcia. Há muitas pessoas para serem alimentadas e pior do que comer algo que não é “o melhor” é “não comer”.

Peguemos o exemplo dos ovos de granja X ovos de galinha caipira: É lógico que o ovo de galinha caipira é composto de mais tipos de nutrientes, afinal a fonte de alimentos da galinha caipira é o terreiro e não o comedor com a mesma ração a todo instante. Mas já pensou que entre estes nutrientes também se encontrarão microorganismos danosos à saúde humana? Afinal qual o controle que se pode fazer sobre o que ela come? Tem idéia da diferença de produtividade entre uma galinha de granja e outra caipira? Na granja as galinhas botam mais que 1 ovo por dia enquanto uma galinha caipira pode passar dias sem botar, e ponto. Será que se produzissemos apenas ovos com galinhas caipiras, soltas e comendo no terreiro, passeando com seus pintinhos, a dúzia de ovos custaria o que custa? E será que as pessoas que ganham salário mínimo poderiam comprar estes ovos na quantidade necessária? Muitas vezes esta é a única fonte de proteína animal que essas pessoas têm.

Evidentemente o nosso sistema produtivo pode levar pessoas a praticar deliberadamente atos ilicitos ou anti-éticos para privilegiar somente seus interesses e também é certo que devemos ser extremamente cuidadosos com as práticas inseridas no processo produtivo de alimentos mas enquanto os defensores de modos alternativos continuarem a ser tão radicais e intransigentes não ajudarão a produzir uma discussão saudável e produtiva.

Afirmo que enquanto estes se enraizam em suas “verdades absolutas” os verdadeiros produtores estão, ano a ano, aprendendo, melhorando seus conhecimentos e aprimorando a forma de trabalhar para correr menos riscos e fazer produtos mais saudáveis. Um agricultor que nos anos ’70 queimava a terra e aplicava defensivos sem nenhuma proteção e em quantidades exageradas hoje cuida da terra, faz rotação de culturas, se protege e usa apenas o necessário, seja com adubo ou pesticida. Do contrário seu lucro vai embora e isto ele não quer. Sou testemunha viva deste processo.

Por outro lado, será que as pessoas que criticam as formas tradicionais de produção sabem o que significa ver uma plantação inteira ser destruída por uma praga? Nosso clima favorece a produção tanto de alimentos como das pragas e doenças.

Sou a favor de usar todo o conhecimento disponível, com bom senso. As práticas antigas são nossa referência, do contrário não teríamos chegado até aqui enquanto raça, mas devem ser atualizadas e melhoradas para que possamos melhorar a qualidade de nossas vidas.

Produção e processamento de alimentos

Resolvi que vou colocar neste espaço algumas opiniões sobre a produção na agricultura e processamento de alimentos. Muita coisa sai na imprensa e circula pela internet e muito disto é pura besteira. Certamente que não sou conhecedor profundo. Só quero registrar alguns aspectos que, no mínimo, acho que devem ser questionados.

Como estes assuntos em geral são amplos farei os textos em pedacinhos e convido meus amigos a comentá-los e questioná-los. Assim poderemos todos aprender um pouco mais.

Vou começar pela produção de “Alimentos Orgânicos”. Sugiro uma visita ao site www.aboaterra.com.br. É um site de uma associação formada por pessoas com posses de Holambra para que pessoas carentes pudessem viver de seu trabalho e oferecer um allimento de melhor qualidade. Divulgam seus conceitos e opiniões de forma clara e franca. Eu tenho algumas opiniões divergentes, especialmente no campo da produção mas respeito a opinião deles e leio sempre seus artigos para aprender como melhorar minha pequena produção em Piedade.

Certamente passaremos mais adiante a questões de processamente e nutricional que a Téia tem se dedicado a estudar muito.

Hábitos alimentares serão um capítulo muito instigante e muito provocador, com certeza!

Até mais.