Cotas! Que coisa depressiva

Esta semana está ocorrendo uma polêmica sobre o projeto aprovado que reserva 50% das vagas em universidades federais para alunos oriundos das escolas públicas de ensino médio e dentro deta reserva, garante uma proporcionalidade de ocupação por distinção de raça e situação econômica. As chamadas cotas racial e social. Até o PSDB aprovou a medida.

Eu sou contra, totalmente. Nossa sociedade é bem diferente da Americana onde foi preciso e justificável impor estas restrições por lei e dar a este procedimento o nome pomposo de “ações afirmativas”.

Aqui o que precisamos é valorizar o mérito. Tem que ter vaga quem for mais preparado. Capaz somos todos. O que faz surgirem as diferenças são atitudes como priguiça, garra, empenho, dedicação, fé, má indole, negligência, enfim o caráter de cada um e o quanto ele é influenciado pela sociedade. Por isso precisamos premiar o mérito. É o melhor jeito de desprestigiar o “jeito Gerson de ser”.

Cota lembra reserva de mercado que não é bom ou racionamento que é muito ruim porque quer dizer que falta o necessário.

Com as cotas vamos conseguir mais títulos de cores e matizes diferentes e certamente a qualidade final dos títulos vai diminuir mais ainda porque enquanto cuidamos das cotas esquecemos de avaliar a qualidade.

Capitalismo socializado. Nem Marx imaginaria isso.

Olhando os números percebi que até o momento o valor liberado pelos governos de todo o mundo para conter a crise é igual ao PIB americano. Considerando que o PIB americano representa 40% do mundial e que ainda serão liberados muitos mais somas podemos imaginar que logo atingiremos a situação em que o valor correspondente ao PIB mundial de 1 ano será liberado pelos governos para resolver a crise.

Estes governos estão liberando o dinheiro que não têm, portano estão se endividando e quem tem que juntar dinheiro para os governos pagarem suas dívidas é o povo. Logo quem parará esta dívida das empresas mais ricas do mundo é o povo. Se não concordar a ameaça é de quebradeira geral e tragédia universal. Será?

Pelo que e consta as pequenas empresas americanas, quando mal geridas pedem falência e outras tomam seu lugar. Porque não seria assim com GM, Ford, AIG, Cyti, etc.?

É recente o processo de popularização do mercado de ações. Neste ambiente qualquer pessoal, em princípio, pode ser dona de uma pequena parte de grandes empresas. Bota pequena nesta parte!!!. Só que os valores que estas pessoas comuns aplicam nestes investimentos são proporcionalmente muito mais importantes e fundamentais para si do que altas somas investidas por um megainvestidor como Soros por exemplo.

É por isso que neste momento está todo mundo sedado, concordando com as saídas encontradas e concordando em dar mais dinheiro a megainvestidores, megamilionários e executivos de alto nível sem sequer questionar “como seria se algumas destas empresas quebrassem?”

O valor relativo das coisas sempre se rearranjará. Trabalho será sempre necessário e terá que ser pago. Em última análise para a sobrevivência do ser humano não é preciso a manutenção deste modelo. Para a sobrevivência dos que se locupletam com este modelo sim, este modelo é fundamental.

Em resumo estamos socializando o capitalismo, ou melhor, os prejuízos do capitalismo. Quando começar a dar lucro de novo não sei se haverá espaço para que recuperemos nossos investimentos ou simplesmente se teremos que nos contentar em poder ganhar dinheiro trabalhando porque o sistema está funcionando.

Mas siceramente não conheço outra alternativa.

Lula, a enchente e a crise economica

Vão dizer que eu pego no pé do Lula… e é verdade! Mas comparemos as situações:

Enchente de Sta. Catarina: Somente depois de 1 semana ele aparece sobrevoanda a área e libera verba “emergencial”. Agora? Não está meio tarde demais para verba emergencial? O que dizer então do estratégico fornecimento de gás através de um único duto? Culpa do governo passado? Ele está ai há quase 6 anos e ainda não sabia do risco?

Bush fez besteira desde o início do seu mandato mas começou a ir morro abaixo depois que atendeu mal o pessoal afetado pelo Katrina. Lá o povo cobra. Aqui bate palma prá qualquer um.

Crise Economica “MUNDIAL”: Primeiro era “deles”, depois se chegasse aqui seria uma “marolinha que não daria nem para esquiar”, depois ele não sabia (só ele) porque nós tinhamos que arcar com consequências da crise feita pelos outros e agora a última: ele diz na TV aos trabalhadores que se perderem o emprego é porque não compram. Este cara não tem vergonha na cara que é muito de pau mesmo. É um pilantra safado.

Claro que a responsabilidade por manter emprego, serviço, empresa funcionando, etc., em última análise é de cada um, mas existe um nível de capacidade de influência que não está nas nossas mãos. Antes, quando era sindicalista ou “lider da oposição” ele não falava assim. A qualquer pequeno solavanco dizia que o governo deveria ter previsto e se responsabilizar pelos que sofriam os efeitos das crises.

E o pior é que ninguém fala nada!

Ainda ontem um executivo do BC disse na TV que se está difícil para comprar a prazo as pessoas deveriam comprar a vista!!! Brilhante! Maria Antonieta também disse para seus ministros avisarem ao povo que se não tinham pães que comessem brioches!!! Mas ela perdeu a cabeça!

E o Serra é igual ao Lula

Pois é. O Serra, aquele que parece ser o próximo da fila para ser presidente fez quase igual ao Lula. Também deu dinheiro para as montadoras. Que bonito!

Na verdade fez pior porque deu dinheiro da Nossa Caixa que daqui a alguns meses será do Banco do Brasil, ou será Banco do Lula?

Estamos sem esperança. Como diriam meua antepassados italianos, “fotuti e sfarinati”.

Será que eles acham que a economia só anda se for de carro?

O governo mostra a cara e ninguém fala nada!

O governo Lula viveu até agora num mar de rosas, falando de economia. Nestes tempos ninguém lembrou de questionar as políticas de educação, saúde, segurança nacional e pública, externa e outras porque afinal a conta bancária ia bem.

Agora estamos no meio de uma crise. A maior dos últimos tempos lá fora. Não é a maior para nós porque nossa economia está melhor do que antes e está melhor porque as coisas foram feitas de maneira correta antes de Lula e com ele lá. Fazia parte do acordo com os empresários que o apoiaram em 2001.

Em tempos de crise as verdades costumam aparecer. No caso das preferências deste governo, além dos MSTs e Quilombolas da vida está mais do que claro que a Indústria Automobilística é não uma mas “A FAVORITA” deste governo. Medidas tem sido tomadas no caminho aparentemente correto para aumentar o crédito, assim como foi correto fomentar o crédito no início do governo, coisa que o governo anterior não soube fazer, talvez por pudor.

Linhas de crédito para que os agentes financeiros se resolvam entre si é correto. Renegociar dívidas de agricultores é discutível porque o pequeno não tem dívida. Planta com seus próprios recursos. Só os grandes é que tratam a agrocultura como negócio mas por outro lado são responsáveis por grande parte de nossas reservas e produzem alimentos. Ou seja de alguma forma se a agricultura for bem os menos favorecidos vão sofrer menos.

A indústria automobilística e sua cadeia é importante no Brasil mas daí a usar recursos do BB para comprar carteiras de créditos dos bancos das montadoras vai uma distância enorme e está errado. Porque estes mesmos bancos de montadoras não negociaram com os bancos privados? Porque o BB paga melhor é claro.

Assim até eu quero ser empresário do setor automobilístico. Quando o setor calçadista sofreu com o Dolar baixo o Seu Lula disse que todos os empresários tinham que aprender a trabalhar com a realidade do Dolar flutuante e dos riscos da atividade empresarial. Por que administradores de montadoras são diferentes?

Para piorar este tipo de ajuda só ajuda a concentração de renda.

Alguem disse na TV que isso é começar a fila da sopa. Se pode para as montadoras deve poder para qualquer setor!

Obama, o abençoado!

E Obama foi eleito. Impressionante e fantástico! Eu pessoalmente não acreditava, sempre tive preferência por Hillary, uma preferência mais conservadora no sentido de ser mais previsível do que Obama. Achava que MacCain representava melhor meus pensamentos mas ontem brincando no site do estadão fiz o teste e descobri que isso era verdade apenas nos aspectos financeiros. Nas demais questões minhas opiniões batiam mais com Obama, o abençado.

Este é um caso onde o nome escolhido pelo Pai pode ter influenciado de alguma forma a personalidade dele. Ele parece obstinado, parece sentir que tem algo de especial e que deve assumir a responsabilidade. Aí é que está minha desconfiança.

Sinceramente torço para dar certo mas receio por similaridade com outras esperiências. Roma teve Nero, a Alemanha teve Hitler e assim vai. Aqui já tinhamos tido Jânio e mais recentemente tivemos o Collor. Quando ele tinha apenas 1% das intenções de voto por um partidinho (PRN) criado só para a eleição eu dizia a meus amigos para terem cuidado porque ele era obstinado e tinha a verve de um salvador da pátria, um messias. Assim como Collor, Obama costuma aparecer com roupas simples (até de chinelo apareceu) e usa o discurso “vocês precisam acreditar e então as mudanças serão possíveis”. Tenho pavor deste estilo! Prefiro racionais como Clinton, FHC e congêneres e até mesmo pragmáticos populistas e calhordas como o Lula que usa e abusa mas não transgride as normas ao ponto de criar uma ruptura de conseqüências inesperadas.

Claro que esta é uma posição conservadora. O mesmo Collor com suas loucuras foi o responsável pelo início da abertura de mercado no Brasil e a importância disto eu  nem sei medir pois não sei se o Plano Real seria tão bem acolhido se não fosse indiscutível que valia a pena comprar importados a menor preço mesmo sabendo que o Dolar estava subvalorizado. Como seria se ao mesmo tempo tivessemos mercadorias a disposição e agentes da indústria na TV reclamando que iam quebrar e causar desemprego por causa dos produtos importados?

Obama pode ser este cara, o cara que cause uma tal ruptura que por se tratar dos EUA gere uma onda nova mundial, com novos e melhores valores. Tomara que consiga!

Obama é da minha geração. Pessoas nascidas na primeira onda de Pais que não eram adultos na época da 2a. grande guerra. Em geral quem nasceu em 1960/61 tem Pais que nasceram entre 1930 e 1940 portanto tinham no máximo 15 anos quando a guerra acabou. Isso é muito significativo Talvez seja a 1a. geração nascida sem o espírito da guerra entranhado em sí embora ainda muito marcados pelas experiências dos Pais. É uma geração muito marcada por grandes mudanças de comportamento, em especial a visão global a informática com a internet.